terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Papel no Varal volta em seu formato tradicional



Dentro do nosso novo Projeto "Em Maceió Verão Poesia", na próxima semana, terça-feira, 25 de janeiro, 20h, o Papel no Varal - poesia de todo canto, poesia de todo mundo - volta em seu formato tradicional. Já está pronta a seleção dos cem poemas que estarão pendurados no varal para serem lidos por qualquer um dos presentes ao BomBar - Jatiúca (desde que não seja o próprio autor).

No intervalo, Francisco Fidelis estará abrilhantando a noite com seu violão e bandolim.

A entrada individual é gratuita. Para preservar o conforto, teremos reservas antecipadas de mesas com até quatro pessoas por 16 reais pelo 8872-1705 e reservas@lumeeiro.org. Quem deixar para adquirir no dia pagará 20 reais. As mesas são limitadas e lembramos que geralmente elas se esgotam muito rápido. (No Bukowski Blues foram apenas dois dias).

Sim, como houve muitas falhas no funcionamento do Bar no último evento, desta vez o sistema será totalmente modificado para atender um número grande pessoas (como esperamos que apareça). O cardápio (que em breve divulgaremos) será modificado e não deverá haver serviço nas mesas e sim no balcão com pagamento por fichas. Esperamos que assim as coisas aconteçam com a qualidade e a agilidade que todos merecemos.

Voltando à poesia, quem estará presente é Sylvia Plath, com Espelho (ver abaixo).

Tudo indica que será uma noite bem agradável.

Sejam bem-vindos

Ricardo Cabús


Sylvia Plath
Espelho
Tradução: Ricardo Cabús

Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo imediatamente
Do jeito que é, desnevoado de amor ou aversão.
Não sou cruel, apenas sincero –
O olho de um pequeno deus, com quatro cantos.
Na maior parte do tempo contemplo a parede em frente.
É cor-de-rosa, com pequenas manchas. Já olhei tanto para ela
Que creio seja uma parte do meu coração. Mas ela vacila.
Faces e escuridão nos separam mais e mais.

Agora sou um lago. Uma mulher curva-se sobre mim,
Examinando em minha extensão o que ela realmente é.
Então ela se vira em direção àquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas e as reflito fielmente.
Ela me recompensa com lágrimas e um aceno de mãos.
Sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã é a sua face que substitui a escuridão.
Em mim ela afogou uma menina e em mim uma anciã
Ergue-se em sua direção dia após dia, como um peixe terrível.


SERVIÇO:

SERVIÇO

Papel no Varal

Tema: Eclético

Dia: 25/1/2011, terça-feira

Horário: 20h

Local: BomBar (Jatiúca - Maceió - AL)

Entrada gratuita

Mesa para quatro pessoas: 20 reais (antecipada: 16 reais)

Participação Musical: Francisco Fidelis

Reserva de mesas e Informações: 8872.1705 / reservas@lumeeiro.org /

Coordenação: Ricardo Cabús

Produção Executiva: Rita Moura

Produção Artística: Taísa Cabús

Promoção: Instituto Lumeeiro

Apoios já confirmados: Instituto Zumbi dos Palmares - Rádio Educativa FM, Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC - Maceió), Fika Frio.


Sobre o Papel no Varal:

http://cacosinconexos.blogspot.com (marcador: Papel no Varal)

http://www.youtube.com/user/lumeeiro

http://www.lumeeiro.org


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Bukowski, blues e cerveja… beba cerveja!


Um texto muito bem escrito e de extrema generosidade, sobre o Bukowski Blues, no BomBar. Acompanham belas fotos.




café sem açúcar

(ricardo cabús)


Para Bruna



o amargo

largo ao caminhar sob as estrelas

e dissolvo na saliva

na maresia

no vento


a vida é doce

quando menos se espera


a vida é doce

quanto menos se espera


Para as estrelas me apontarem o caminho


Estava no aniversário de Zé Ivo, quando Atiba me propôs fazermos um evento juntos. É jazz? Perguntei. – Não, é blues, ele disse. Não tive dúvidas no título: Bukowski Blues. Em poucos dias estava tudo resolvido, seria no BomBar numa terça-feira (11/1/11), às 21 horas. Fiquei noites e noites lendo, selecionando e traduzindo poemas, já que tinha apenas seis ou sete do Bukowski. Consegui chegar aos 25 poemas que se somariam aos 12 blues selecionados por Atiba. Na segunda-feira, todas as 45 mesas estavam reservadas, e ainda sairia uma bela matéria no Bom Dia Alagoas no dia do show. Desconfiei que a casa estaria cheia. Dito e feito, show com gente em pé por todo lado, encostando-se aos muros, árvores e carros das redondezas. Disseram que havia mais de 300 pessoas. Desconfiei que o Bar não fosse dar conta. Dito e feito, o que aumentou o clima bukowskiano da noite. A plateia era eclética, a maioria de jovens que se mesclavam à geração que lera Bukowski quando tinha a idade deles. O show atrasou devido a problema com um dos instrumentos na passagem de som. Depois de abrir minha garrafa de cachaça, começamos o Bukowski Blues algo depois das nove e meia. Iago leu um texto de apresentação do show, que se iniciou com Atiba Taylor e Ricardo Lopes levantando a plateia com um belo blues que não lembro o nome agora. Em seguida, eu disse ‘A genialidade da multidão’. Músicas e poemas se cruzarão de forma harmônica. Got a feeling, Down home blues, Georgia, Summertime, dentre outros blues, alternaram-se com poemas como role os dados, o amor é um cão do inferno, confissão, como ser um grande escritor e azulão. A música estava perfeita. Atiba, em noite inspirada, cantou, tocou sax, piano, agitou a plateia. Ricardo Lopes fez o que quis com a guitarra e o violão. Havia química entre os dois e o público. Em certo momento, o músico norueguês, Rolf-Eric Nistrom, que estava de passagem por Maceió, se juntou à Atiba e Lopes e deu uma canja mais que especial. Enquanto dava vazão à minha exclusiva garrafa de cachaça, em homenagem ao velho Buck, os poemas eram ditos. Creio que alguns saíram legais. Um detalhe, depois de lidos, eu sempre jogava os poemas ao chão. Entre um gole e outro noto um apanhador de poemas, que corria para pegá-los, cada vez que uma folha procurava o melhor trajeto para encontrar o solo. Era Luiz, que provavelmente também estava alcoolicamente sintonizado com o clima bukowskiano da noite. Percebi que Janaína e Magella sorriam. Houve um momento que apareceu um carro da polícia. Era um show, mas como eu estava dirigindo bêbado, pensei logo que era comigo. Mas não, os caras ficaram ouvindo a bela música e alguns poemas até que saíram quando li um verso que falava da estreiteza de uma parte muito interessante (pelo menos para mim) da anatomia feminina. E como em quase todos os meus eventos, choveu. Mas o álcool fez-me não perceber a chuva, nem o relógio. O que era para ser uma hora e meia de apresentação tornou-se três. Fiquei impressionado quando percebi que passava da meia-noite e as mesas estavam praticamente todas ocupadas. Fechamos o show com azulão (bluebird) “em meu coração existe um pássaro um azulão que quer sair mas eu não permito, ...”. Ainda tive consciência para autografar – com um garrancho ilegível, mas cheio de felicidade – alguns exemplares de ‘Cacos Inconexos’. Ouvi alguns comentários legais das pessoas e dei uma entrevista para um blog. Espero que não tenha falado muita bobagem, pois não consigo lembrar o que disse e nem mesmo o endereço para ler a entrevista. Em seguida, escolho uma mesa afastada, sento acompanhado de minha garrafa e tomo meu último gole, enquanto o céu de Maceió abre suas pernas para as estrelas me apontarem o caminho. (ricardo cabús)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Bukowski - Azulão / bluebird

Animação baseada no poema Azulão (bluebird), do Bukowski.


Charles Bukowski

azulão

Tradução: Ricardo Cabús

em meu coração existe um pássaro um azulão que

quer sair

mas eu não permito,

eu digo, fique aí, eu não vou deixar

ninguém ver

você.

em meu coração existe um pássaro um azulão que

quer sair

mas eu dou uísque para ele e jogo

fumaça de cigarro

e as putas e as garçonetes

e as atendentes

nunca sabem que

ele está aqui dentro.

em meu coração existe um pássaro um azulão que

quer sair

mas eu não permito,

eu digo,

fique quieto, você quer

me ferrar?

você quer fuder meu trabalho?

você quer estragar a venda de meus livros na

Europa?

em meu coração existe um pássaro um azulão que

quer sair

mas eu sou sabido, eu só deixo ele sair

de vez em quando à noite

quando todo mundo está dormindo.

eu digo, eu sei que você está aí,

não fique

triste.

então eu coloco ele de volta,

mas ele ainda está cantando um pouco

aqui dentro, eu não deixei ele

morrer totalmente

e nós dormimos juntos desse

jeito

com nosso

pacto secreto

e isto é tão legal que

faz um homem

chorar, mas eu não

choro, e

você?

Charles Bukowski

bluebird

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I'm too tough for him,

I say, stay in there, I'm not going

to let anybody see

you.

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I pur whiskey on him and inhale

cigarette smoke

and the whores and the bartenders

and the grocery clerks

never know that

he's

in there.

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I'm too tough for him,

I say,

stay down, do you want to mess

me up?

you want to screw up the

works?

you want to blow my book sales in

Europe?

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I'm too clever, I only let him out

at night sometimes

when everybody's asleep.

I say, I know that you're there,

so don't be

sad.

then I put him back,

but he's singing a little

in there, I haven't quite let him

die

and we sleep together like

that

with our

secret pact

and it's nice enough to

make a man

weep, but I don't

weep, do

you?

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Bukowski Blues: Esclarecimentos sobre o evento

Alguns esclarecimentos sobre o evento Bukowski Blues, promovido pelo Instituto Lumeeiro, que ocorrerá hoje, 11/1/11 às 21h, no BomBar, Jatiúca, Maceió-AL:

1) Não é um Papel no Varal. Será uma leitura de poemas de Bukowski por Ricardo Cabus (Maceió), regada com uma seleção de clássicos do blues interpretados por Atiba Taylor(EUA) e Ricardo Lopes(Maceió).

2) A noite terá participação especial do músico Rolf-Eric Nistrom (Noruega).

3) Todas as mesas já foram reservadas. Estamos aceitando apenas inclusão na lista de espera, que servirá caso haja desistências. Por outro lado, não será proibida a presença de pessoas em pé nos arredores do bar, desde que não atrapalhem a visão daquelas que estão sentadas nas mesas. O couvert será opcional para quem não tiver mesa.

4) Na seleção de poemas serão encontrados, dentre outros, "a genialidade da multidão (the genious of the crowd), alguém (somebody), azulão (bluebird), role os dados (roll the dice), o amor é um cão do inferno (love is a dog from hell), deixe isto envolver você (let it enfold you). Todos traduzidos por Ricardo Cabús.

5) Na seleção de blues serão encontrados, dentre outros: Sweet Home Chicago, Baby Please Don't Go, Summertime,Take Me to the River, I Got A Feeling and Down Home Blues.

4) o evento é indicado para maiores de 14 anos.

5) Durante o evento, estará à venda o livro Cacos Inconexos,de Ricardo Cabús, que poderá autografá-lo ao final da apresentação.

Qualquer dúvida não hesite em nos contatar pelo fone 82-8872-1705.

Que tenhamos uma noite agradável.

Atenciosamente,

Instituto Lumeeiro


Serviço

Evento: Bukowski Blues
Com: Ricardo Cabus (Maceió; voz), Atiba Taylor (EUA; voz, sax, piano) e Ricardo Lopes (Maceió; guitarra, violão)
Participação Especial: Rolf-Eric Nistrom (Noruega, sax)
Quando: terça-feira, 11/1/2011, 21h.
Onde: BomBar - Jatiúca - Maceió - AL
Mesas (4 lugares): R$ 16,00
Vagas limitadas
Indicação: 14 anos
Informações e reserva de mesas: 8872.1705 / reservas@lumeeiro.org
Promoção: Instituto Lumeeiro
Apoio Cultural: Rádio Educativa FM, Instituto Zumbi dos Palmares.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A genialidade da multidão - Charles Bukowski


Charles Bukowski

A genialidade da multidão

Tradução: Ricardo Cabús

há bastante traição, ódio, violência, absurdo no ser humano

comum para suprir qualquer exército em qualquer dia

e os melhores assassinos são os que pregam contra isto

e os melhores em ódio são os que pregam amor

e os melhores em guerra finalmente são os que pregam a paz

aqueles que pregam deus, precisam de deus

aqueles que pregam a paz, não têm paz

aqueles que pregam a paz, não tem amor

cuidado com os pregadores

cuidado com os entendidos

cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros

cuidado com aqueles que detestam pobreza

ou têm orgulho dela

cuidado com aqueles que são rápidos no elogio

porque precisam de elogios de volta

cuidado com aqueles que são rápidos na censura

eles estão preocupados com o que não sabem

cuidado com aqueles que vivem buscando multidões porque

não são nada sozinhos

cuidado com o homem comum a mulher comum

cuidado com o amor deles, o amor deles é comum

busca o comum

mas há genialidade no ódio deles

há bastante genialidade no ódio deles para matar você

para matar qualquer um

não querendo a solidão

não entendendo a solidão

eles tentarão destruir tudo

que for diferente deles próprios

não sendo capaz de criar arte

eles não entenderão de arte

eles considerarão suas falhas como inventores

apenas como uma falha do mundo

não sendo capaz de amar completamente

eles acreditarão na incompletude do amor

e então eles odiarão você

e esse ódio será perfeito

como um diamante brilhante

como uma faca

como uma montanha

como um tigre

como cicuta

a mais fina arte.

Charles Bukowski

The Genius Of The Crowd

there is enough treachery, hatred violence absurdity in the average

human being to supply any given army on any given day

and the best at murder are those who preach against it

and the best at hate are those who preach love

and the best at war finally are those who preach peace

those who preach god, need god

those who preach peace do not have peace

those who preach peace do not have love

beware the preachers

beware the knowers

beware those who are always reading books

beware those who either detest poverty

or are proud of it

beware those quick to praise

for they need praise in return

beware those who are quick to censor

they are afraid of what they do not know

beware those who seek constant crowds for

they are nothing alone

beware the average man the average woman

beware their love, their love is average

seeks average

but there is genius in their hatred

there is enough genius in their hatred to kill you

to kill anybody

not wanting solitude

not understanding solitude

they will attempt to destroy anything

that differs from their own

not being able to create art

they will not understand art

they will consider their failure as creators

only as a failure of the world

not being able to love fully

they will believe your love incomplete

and then they will hate you

and their hatred will be perfect

like a shining diamond

like a knife

like a mountain

like a tiger

like hemlock

their finest art

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Bukowski Blues - Como chegar no BomBar

Quem vier pela praia pode pegar a Av. Jatiúca e entrar à direita na esquina do Posto Tigrão. O BomBar fica na esquina seguinte, à direita (antes da Amélia Rosa).


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A poesia de Charles Bukowski invade o verão de Maceió


Bukowski Blues. Na próxima terça, 11/1/11, às 21h, no BomBar (Jatiúca), o Instituto Lumeeiro apresenta uma noite de poesia e música. Ricardo Cabús traz a poesia de Charles Bukowski -- o melhor poeta dos Estados Unidos, segundo Jean Paul Sartre -- banhada no blues de Atiba Taylor e Ricardo Lopes.



Serviço

Evento: Bukowski Blues
Quando: terça-feira, 11/1/2011, 21h.
Onde: BomBar - Jatiúca - Maceió - AL. (Ver Mapa Abaixo)

Mesas (4 lugares): antecipada: R$ 12,00
No dia: R$ 16,00
Vagas limitadas
Indicação : 14 anos
Informações e reserva de mesas: 8872.1705 / reservas@lumeeiro.org

Promoção: Instituto Lumeeiro
Apoio Cultural: Rádio Educativa FM, Instituto Zumbi dos Palmares.




Visualizar BomBar em um mapa maior

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Última tradução de 2010

Charles Bukowski

o amor é um cão do inferno

Tradução: Ricardo Cabús

pés de queijo

alma de cafeteira

mãos que odeiam tacos de sinuca

olhos como clipes de papel

eu prefiro vinho tinto

eu fico entediado em aviões de carreira

eu sou dócil durante terremotos

eu sou sonolento em funerais

eu vomito em desfiles

e vou ao sacrifício no xadrez

e nas bucetas e nos afetos

eu cheiro urina nas igrejas

eu não consigo mais ler

eu não consigo mais dormir


olhos como clipes de papel

meus olhos verdes

eu prefiro vinho branco


minhas camisinhas estão ficando

vencidas

eu tiro todas do envelope

Jontex

lubrificadas

para maior sensibilidade

eu tiro todas do envelope

e coloco três delas


as paredes do meu quarto são azuis


Linda para onde você foi?

Catarina para onde você foi?

(e Nina foi para a Inglaterra)


eu tenho cortadores de unha

e limpa-vidros Vidrex

olhos verdes

quarto azul

metralhadora solar brilhante


tudo isto é como uma foca

presa em rochas oleosas

e arrodeada pela Banda Marcial de Long Beach

às 3h36 da tarde


há um tique-taque atrás de mim

mas nenhum relógio

eu sinto alguma coisa rastejando

no lado esquerdo de meu nariz:

memórias de aviões de carreira

minha mãe tinha dentes postiços

meu pai tinha dentes postiços

e todo sábado de suas vidas

eles tiravam todos os tapetes da casa

enceravam o assoalho

e cobriam de novo com os tapetes


e Nina está na Inglaterra

e Irene está no asilo

e eu pego meus olhos verdes

e deito em meu quarto azul.

love is a dog from hell

feet of cheese

coffeepot soul

hands that hate poolsticks

eyes like paperclips

I prefer red wine

I am bored on airliners

I am docile during earthquakes

I am sleepy at funerals

I puke at parades

and am sacrificial at chess

and cunt and caring

I smell urine in churches

I can no longer read

I can no longer sleep


eyes like paperclips

my green eyes

I prefer white wine


my box of rubbers is getting

stale

I take them out

Trojan-Enz

lubricated

for greater sensitivity

I take them out

and put three of them on


the walls of my bedroom are blue


Linda where did you go?

Katherine where did you go?

(and Nina went to England)


I have toenail clippers

and Windex glass cleaner

green eyes

blue bedroom

bright machinegun sun


this whole thing is like a seal

caught on oily rocks

and circled by the Long Beach Marching Band

at 3:36 p.m.


there is a ticking behind me

but no clock

I feel something crawling along

the left side of my nose:

memories of airliners


my mother had false teeth

my father had false teeth

and every Saturday of their lives

they took up all the rugs in their house

waxed the hardwood floors

and covered them with rugs again


and Nina is in England

and Irene is on ATD

and I take my green eyes

and lay down in my blue bedroom.

Curto balanço 2010 e Prognóstico 2011 do Projeto Papel no Varal

Amigas e Amigos do Projeto Papel no Varal e do Instituto Lumeeiro,

O ano termina com muitas realizações e uma perda irreparável.

Foram dezenas de instalações e saraus poéticos nos quatro cantos da nossa cidade, tendo como ápice a intervenção urbana de 29 de abril, quando as ruas, praças, escolas, prédios públicos de Maceió amanheceram perfumados com 28 mil poemas pendurados em varais de sisal.

O Instituto Lumeeiro lançou em setembro, numa noite muito feliz, o livro 'Cacos Inconexos'.

Tayra se foi deixando sementes que - após muita tristeza - desabrocharão com poesia no novo ano que chega.

Logo em 11 de janeiro, experimentaremos um novo formato de evento, com poesia e blues. Será uma noite de Charles Bukowski com atuação de Ricardo Cabús e dos músicos Atiba Taylor no sax, voz e teclado (não ao mesmo tempo) e Ricardo Lopes na guitarra.

O Papel no Varal volta 25 de janeiro no BomBar (Jatiúca).

Em 23 de fevereiro teremos a 2a. edição do Sarau Erótico, no Museu Theo Brandão, dentro da programação pré-carnavalesca da nossa cidade.

Em março, Fernanda Guimarães fará sua primeira participação musical no nosso evento.

Abril teremos a 2a. grande Intervenção Urbana do Papel no Varal e em maio a Maratona Poética.

Em breve informaremos a data do Papel no Varal no Buraco da Catita em Natal (RN).

E pra fechar 2010 com poesia, abaixo o poema Espaço e Tempo (que foi musicado por Fernando Marcelo e em breve colocaremos disponível o arquivo mp3).

Que tenhamos todos um ano novo repleto de poesia.

Ricardo Cabús e Equipe Papel no Varal

..........................................

Espaço e Tempo

(Ricardo Cabús)

Vejo o novo ano

Como um espaço vazio

A ser preenchido por nós

É como uma tela em branco

Para colocarmos tinta

Formando imagens de sonhos

A serem vividos

Ou revividos

Um novo chão

Para marcarmos com nossas pegadas

Trajetos em busca do desejo

Adormecido

Ou não

É um espaço onde o tempo é

Cada vez menor

Mas onde desejos e sonhos

Por atemporais

Cabem plenos


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Sobre Tayra Macedo


Pessoal,

Toda a equipe do Projeto Papel no Varal tem se sentido profundamente tocada pelas mensagens de apoio recebidas após o falecimento de nossa querida companheira Tayra Macedo. Como uma singela homenagem e em resposta a algumas perguntas recebidas, destacamos os endereços abaixo.

Gazetaweb: matéria de Gabriela Moreira sobre o falecimento

Intervenção urbana do Papel no Varal (abril 2010):
Bom Dia Brasil: (matéria de Tiago Correia)
You tube: (Vídeo de Vicente Moliterno e Alice Jardim)


Orkut de Tayra (dois perfis):


Missa em homenagem à Tayra:
Dia 16/11//2010, 19h30
Igreja de São Pedro - Ponta Verde - Maceió.


Equipe Papel no Varal

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Agradecimento e convite para missa de Tayra

Pessoal,

Ainda não temos condições de expressar em palavras o sentimento de gratidão por todos que nos acompanharam neste momento de muita dor pelo falecimento de nossa Tayra. Agradecemos de coração regado as infindas mensagens em todas as mídias e pedimos desculpas por não podermos respondê-las uma a uma como gostaríamos.

Convidamos, aos que desejarem, a participar da missa em homenagem a Tayra que ocorrerá na próxima terça-feira, dia 16 de novembro de 2010, às 19h30, na Igreja de São Pedro, Ponta Verde, Maceió-AL.

A força, a luz e a beleza de Tayra adejam em nossos céus.

Cristina e Ricardo

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Nota de Falecimento

Pessoal,

É com uma tristeza profunda que comunico o falecimento de nossa querida Tayra, hoje, 9/11/2010, no final da tarde. O corpo está sendo velado no Cemitério Parque das Flores, em Maceió, onde ocorrerá o sepultamento às 13h do dia 10/11/2010, quarta-feira.

Tayra, aos 24 anos, nos deixa um legado de amor e dedicação à cultura, justiça, liberdade e solidariedade. Como produtora do Papel no Varal Tayra participou ativamente da criação e execução, dentre outras, da nossa intervenção urbana, de abril deste ano, quando Maceió acordou perfumada por 28 mil folhas com poemas penduradas em milhares de varais pelos quatro cantos da nossa cidade.

Deixo abaixo o poema de Lêdo Ivo, A passagem, um dos seus preferidos:

Lêdo Ivo

A passagem

Que me deixem passar - eis o que peço

diante da porta ou diante do caminho.

E que ninguém me siga na passagem.

Não tenho companheiros de viagem

nem quero que ninguém fique ao meu lado.

Para passar, exijo estar sozinho,

somente de mim mesmo acompanhado.

Mas caso me proíbam de passar

por ser eu diferente ou indesejado

mesmo assim eu passarei.

Inventarei a porta e o caminho

e passarei sozinho.