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domingo, 11 de dezembro de 2011

Uma folha de relva no Papel no Varal

Uma folha de relva
Brian Patten
Tradução: Ricardo Cabús

Você pede um poema.
Eu ofereço uma folha de relva.
Você diz que não é suficiente.
Você pede um poema.

Eu digo que esta folha de relva será.
Ela veste-se em gelo,
Ela é mais direta
Que qualquer imagem eu faça.

Você diz que ela não é um poema,
É uma folha de relva e relva
Não é suficiente.
Eu ofereço uma folha de relva.

Você está indignada.
Você diz que é muito fácil oferecer relva.
É um absurdo.
Qualquer um pode oferecer uma folha de relva.

Você pede um poema.
E então eu escrevo uma tragédia sobre
Como uma folha de relva
Torna-se mais e mais difícil de oferecer,

E sobre como quando você envelhece
Uma folha de relva
Torna-se mais difícil de aceitar.




......




Este poema estará no Papel no Varal do dia 14/12/2011

sábado, 22 de janeiro de 2011

Edwin Morgan estará no Papel no Varal de 25/1/2011

Edwin Morgan

Um Cigarro

Tradução: Ricardo Cabús

Não há fumaça sem você, meu fogo.

Depois que você partiu,

seu cigarro incandesceu em meu cinzeiro

e lançou um longo fio cinzento tão vertical que

eu sorri a devanear sobre quem acreditaria neste sinal

de amor profundo. Um cigarro

no cinzeiro de um não-fumante.

Enquanto o último filete

treme, uma brisa repentina

sopra arejando minha face.

É aroma, é sabor?

Você está aqui de novo e eu estou embriagado nos seus lábios de tabaco.

Apague a luz.

Deixe a fumaça pousar de volta na escuridão.

E até que eu ouça a última cinza

suspirar entre as flores de latão

eu respirarei, até bem depois da meia-noite, seu último beijo.

Edwin Morgan

One Cigarette

No smoke without you, my fire.

After you left,

your cigarette glowed on in my ashtray

and sent up a long thread of such quiet grey

I smiled to wonder who would believe its signal

of so much love. One cigarette

in the non-smoker's tray.

As the last spire

trembles up, a sudden draught

blows it winding into my face.

Is it smell, is it taste?

You are here again, and I am drunk on your tobacco lips.

Out with the light.

Let the smoke lie back in the dark.

Till I hear the very ash

sigh down among the flowers of brass

I'll breathe, and long past midnight, your last kiss.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Bukowski - Azulão / bluebird

Animação baseada no poema Azulão (bluebird), do Bukowski.


Charles Bukowski

azulão

Tradução: Ricardo Cabús

em meu coração existe um pássaro um azulão que

quer sair

mas eu não permito,

eu digo, fique aí, eu não vou deixar

ninguém ver

você.

em meu coração existe um pássaro um azulão que

quer sair

mas eu dou uísque para ele e jogo

fumaça de cigarro

e as putas e as garçonetes

e as atendentes

nunca sabem que

ele está aqui dentro.

em meu coração existe um pássaro um azulão que

quer sair

mas eu não permito,

eu digo,

fique quieto, você quer

me ferrar?

você quer fuder meu trabalho?

você quer estragar a venda de meus livros na

Europa?

em meu coração existe um pássaro um azulão que

quer sair

mas eu sou sabido, eu só deixo ele sair

de vez em quando à noite

quando todo mundo está dormindo.

eu digo, eu sei que você está aí,

não fique

triste.

então eu coloco ele de volta,

mas ele ainda está cantando um pouco

aqui dentro, eu não deixei ele

morrer totalmente

e nós dormimos juntos desse

jeito

com nosso

pacto secreto

e isto é tão legal que

faz um homem

chorar, mas eu não

choro, e

você?

Charles Bukowski

bluebird

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I'm too tough for him,

I say, stay in there, I'm not going

to let anybody see

you.

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I pur whiskey on him and inhale

cigarette smoke

and the whores and the bartenders

and the grocery clerks

never know that

he's

in there.

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I'm too tough for him,

I say,

stay down, do you want to mess

me up?

you want to screw up the

works?

you want to blow my book sales in

Europe?

there's a bluebird in my heart that

wants to get out

but I'm too clever, I only let him out

at night sometimes

when everybody's asleep.

I say, I know that you're there,

so don't be

sad.

then I put him back,

but he's singing a little

in there, I haven't quite let him

die

and we sleep together like

that

with our

secret pact

and it's nice enough to

make a man

weep, but I don't

weep, do

you?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A genialidade da multidão - Charles Bukowski


Charles Bukowski

A genialidade da multidão

Tradução: Ricardo Cabús

há bastante traição, ódio, violência, absurdo no ser humano

comum para suprir qualquer exército em qualquer dia

e os melhores assassinos são os que pregam contra isto

e os melhores em ódio são os que pregam amor

e os melhores em guerra finalmente são os que pregam a paz

aqueles que pregam deus, precisam de deus

aqueles que pregam a paz, não têm paz

aqueles que pregam a paz, não tem amor

cuidado com os pregadores

cuidado com os entendidos

cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros

cuidado com aqueles que detestam pobreza

ou têm orgulho dela

cuidado com aqueles que são rápidos no elogio

porque precisam de elogios de volta

cuidado com aqueles que são rápidos na censura

eles estão preocupados com o que não sabem

cuidado com aqueles que vivem buscando multidões porque

não são nada sozinhos

cuidado com o homem comum a mulher comum

cuidado com o amor deles, o amor deles é comum

busca o comum

mas há genialidade no ódio deles

há bastante genialidade no ódio deles para matar você

para matar qualquer um

não querendo a solidão

não entendendo a solidão

eles tentarão destruir tudo

que for diferente deles próprios

não sendo capaz de criar arte

eles não entenderão de arte

eles considerarão suas falhas como inventores

apenas como uma falha do mundo

não sendo capaz de amar completamente

eles acreditarão na incompletude do amor

e então eles odiarão você

e esse ódio será perfeito

como um diamante brilhante

como uma faca

como uma montanha

como um tigre

como cicuta

a mais fina arte.

Charles Bukowski

The Genius Of The Crowd

there is enough treachery, hatred violence absurdity in the average

human being to supply any given army on any given day

and the best at murder are those who preach against it

and the best at hate are those who preach love

and the best at war finally are those who preach peace

those who preach god, need god

those who preach peace do not have peace

those who preach peace do not have love

beware the preachers

beware the knowers

beware those who are always reading books

beware those who either detest poverty

or are proud of it

beware those quick to praise

for they need praise in return

beware those who are quick to censor

they are afraid of what they do not know

beware those who seek constant crowds for

they are nothing alone

beware the average man the average woman

beware their love, their love is average

seeks average

but there is genius in their hatred

there is enough genius in their hatred to kill you

to kill anybody

not wanting solitude

not understanding solitude

they will attempt to destroy anything

that differs from their own

not being able to create art

they will not understand art

they will consider their failure as creators

only as a failure of the world

not being able to love fully

they will believe your love incomplete

and then they will hate you

and their hatred will be perfect

like a shining diamond

like a knife

like a mountain

like a tiger

like hemlock

their finest art

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Última tradução de 2010

Charles Bukowski

o amor é um cão do inferno

Tradução: Ricardo Cabús

pés de queijo

alma de cafeteira

mãos que odeiam tacos de sinuca

olhos como clipes de papel

eu prefiro vinho tinto

eu fico entediado em aviões de carreira

eu sou dócil durante terremotos

eu sou sonolento em funerais

eu vomito em desfiles

e vou ao sacrifício no xadrez

e nas bucetas e nos afetos

eu cheiro urina nas igrejas

eu não consigo mais ler

eu não consigo mais dormir


olhos como clipes de papel

meus olhos verdes

eu prefiro vinho branco


minhas camisinhas estão ficando

vencidas

eu tiro todas do envelope

Jontex

lubrificadas

para maior sensibilidade

eu tiro todas do envelope

e coloco três delas


as paredes do meu quarto são azuis


Linda para onde você foi?

Catarina para onde você foi?

(e Nina foi para a Inglaterra)


eu tenho cortadores de unha

e limpa-vidros Vidrex

olhos verdes

quarto azul

metralhadora solar brilhante


tudo isto é como uma foca

presa em rochas oleosas

e arrodeada pela Banda Marcial de Long Beach

às 3h36 da tarde


há um tique-taque atrás de mim

mas nenhum relógio

eu sinto alguma coisa rastejando

no lado esquerdo de meu nariz:

memórias de aviões de carreira

minha mãe tinha dentes postiços

meu pai tinha dentes postiços

e todo sábado de suas vidas

eles tiravam todos os tapetes da casa

enceravam o assoalho

e cobriam de novo com os tapetes


e Nina está na Inglaterra

e Irene está no asilo

e eu pego meus olhos verdes

e deito em meu quarto azul.

love is a dog from hell

feet of cheese

coffeepot soul

hands that hate poolsticks

eyes like paperclips

I prefer red wine

I am bored on airliners

I am docile during earthquakes

I am sleepy at funerals

I puke at parades

and am sacrificial at chess

and cunt and caring

I smell urine in churches

I can no longer read

I can no longer sleep


eyes like paperclips

my green eyes

I prefer white wine


my box of rubbers is getting

stale

I take them out

Trojan-Enz

lubricated

for greater sensitivity

I take them out

and put three of them on


the walls of my bedroom are blue


Linda where did you go?

Katherine where did you go?

(and Nina went to England)


I have toenail clippers

and Windex glass cleaner

green eyes

blue bedroom

bright machinegun sun


this whole thing is like a seal

caught on oily rocks

and circled by the Long Beach Marching Band

at 3:36 p.m.


there is a ticking behind me

but no clock

I feel something crawling along

the left side of my nose:

memories of airliners


my mother had false teeth

my father had false teeth

and every Saturday of their lives

they took up all the rugs in their house

waxed the hardwood floors

and covered them with rugs again


and Nina is in England

and Irene is on ATD

and I take my green eyes

and lay down in my blue bedroom.

domingo, 17 de outubro de 2010

Uma arte de Elisabeth Bishop

Elizabeth Bishop

Uma arte

Tradução: Ricardo Cabús

(In: CABUS, Ricardo, Cacos Inconexos. Maceió: Instituto Lumeeiro, 2010)


A arte de perder não é difícil de dominar;

tantas coisas parecem cheias do intento

de ser perdida que sua perda não é um desastre.

Perca alguma coisa todo dia. Aceite a perturbação

de perder as chaves da porta, a hora gasta inadequadamente.

A arte de perder não é difícil de dominar.

Então pratique perder mais, perder mais rápido:

lugares e nomes e para onde você queria

viajar. Nada disso será um desastre.

Perdi o relógio de minha mãe. E veja! Minha última, ou

quase-última, de três casas queridas se foram.

A arte de perder não é difícil de dominar.

Perdi duas amáveis cidades. E, mais vasto,

alguns reinos que possuía, dois rios, um continente.

Eu sinto falta deles, mas não foi um desastre.

Mesmo perdendo você (a voz brincalhona, um gesto

que amo) eu não deveria ter mentido. É claro que

a arte de perder não é tão difícil de dominar

embora possa parecer como (escreva isto!) como um desastre.

One Art

The art of losing isn't hard to master;

so many things seem filled with the intent

to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster

of lost door keys, the hour badly spent.

The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:

places, and names, and where it was you meant

to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or

next-to-last, of three loved houses went.

The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,

some realms I owned, two rivers, a continent.

I miss them, but it wasn't a disaster.

Even losing you (the joking voice, a gesture

I love) I shan't have lied. It's evident

the art of losing's not too hard to master

though it may look like (Write it!) like disaster.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Fogo e Gelo de Robert Frost


Acabei de traduzir este poema. Não costumo manter as rimas, mas neste poema achei fundamental.
(Robert Frost nasceu em 1874 nos EUA e faleceu em 1963)

Robert Frost

Fogo e gelo

Tradução: Ricardo Cabús

Alguns dizem que o mundo acabará em fogo,

Alguns dizem em gelo.

Do que provei de desejo sem arrogo

Eu fico com aqueles a favor do fogo.

Mas se houvesse duas vezes esse pesadelo,

Eu acho que sei do ódio o tom

Para dizer que para destruição o gelo

Também é muito bom

O bastante para sê-lo.

Fire and ice

Some say the world will end in fire,

Some say in ice.

From what I’ve tasted of desire

I hold with those who favor fire.

But if it had to perish twice,

I think I know enough of hate

To say that for destruction ice

Is also great

And would suffice.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Charles Bukowski - Confissão

Charles Bukowski

Confissão

Tradução: Ricardo Cabús

esperando pela morte

como um gato

que vai pular na

cama


eu sinto muito pela

minha esposa


ela verá este

corpo

pálido

rígido


sacudirá uma vez

talvez

outra:


“Hank!”


Hank não

responderá.


não é a minha morte que

me preocupa, é minha esposa

deixada com esta

pilha de

nada.


eu quero

que ela saiba

no entanto

que todas as noites

dormindo

ao seu lado


mesmo as discussões

mais inúteis

foram esplêndidas


e as difíceis

palavras

que sempre temi

dizer

podem agora ser

ditas:


eu

te amo.






Confession

waiting for death

like a cat

that will jump on the

bed


I am so very sorry for

my wife


she will see this

stiff

white

body


shake it once, then

maybe

again:


"Hank!"


Hank won't

answer.


it's not my death that

worries me, it's my wife

left with this

pile of

nothing.


I want to

let her know

though

that all the nights

sleeping

beside her


even the useless

arguments

were things

ever splendid


and the hard

words

I ever feared to

say

can now be

said:


I love

you.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Sylvia Plath - Espelho

Sylvia Plath

Espelho

Tradução: Ricardo Cabús

Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.

Tudo o que vejo engulo imediatamente

Do jeito que é, desnevoado de amor ou aversão.

Não sou cruel, apenas sincero –

O olho de um pequeno deus, com quatro cantos.

Na maior parte do tempo contemplo a parede em frente.

É cor-de-rosa, com pequenas manchas. Já olhei tanto para ela

Que creio seja uma parte do meu coração. Mas ela vacila.

Faces e escuridão nos separam mais e mais.

Agora sou um lago. Uma mulher curva-se sobre mim,

Examinando em minha extensão o que ela realmente é.

Então ela se vira em direção àquelas mentirosas, as velas ou a lua.

Vejo suas costas e as reflito fielmente.

Ela me recompensa com lágrimas e um aceno de mãos.

Sou importante para ela. Ela vai e vem.

A cada manhã é a sua face que substitui a escuridão.

Em mim ela afogou uma menina e em mim uma anciã

Ergue-se em sua direção dia após dia, como um peixe terrível.


...........

Mirror

I am silver and exact. I have no preconceptions.

Whatever I see I swallow immediately

Just as it is, unmisted by love or dislike.

I am not cruel, just truthful -

The eye of a little god, four cournered.

Most of the time I meditate on the opposite wall.

It is pink, with speckles. I have looked at it so long

I think it is a part of my heart. But it flickers.

Faces and darkness separate us over and over.

Now I am a lake. A woman bends over me,

Searching my reaches for what she really is.

Then she turns to those liars, the candles or the moon.

I see her back, and reflect it faithfully.

She rewards me with tears and an agitation of hands

I am important to her. She comes and goes.

Each morning it is her face that replaces the darkness.

In me she has drowned a young girl, and in me an old woman

Rises toward her day after day, like a terrible fish.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Algumas das atrações de hoje no Papel no Varal de sexta-feira, 13

Algumas das atrações de hoje no Papel no Varal de sexta-feira, 13, a partir das 20h30:

O piano de Expedito Rossiter.
A voz de Leureny e o violão de Willbert Fialho. (Vai rolar "Penas do Tiê", do alagoano Hekel Tavares, que o Fagner gravou)
Os atores Ronaldo de Andrade e Homero Cavalcante interpretando "O Corvo" de Edgar Allan Poe.
Também dentro da programação de 99 anos do Teatro Deodoro, a exposição "Olhar dela" da fotógrafa Kelly Baeta estará no Café da Linda (fica até o dia 30/11).
No bar: cerveja em lata a R$ 2,50; churrasquinho R$ 2,50; tábua de frios R$ 10,00.

No varal, de Gregório de Matos a Charles Bukowski:


Gregório de Matos

Ao Braço do Mesmo Menino Jesus Quando Aparece

O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo.

Em todo o Sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica o todo.

O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,
Assiste cada parte em sua parte.

Não se sabendo parte deste todo,
Um braço, que lhe acharam, sendo parte,
Nos disse as partes todas deste todo.

Charles Bukowski

Para a puta que levou meus poemas

Tradução: Ricardo Cabús

Dizem que devemos afastar o remorso do
poema
manter-se abstrato, e há alguma razão nisto,
mas jesus;
doze poemas se foram e eu não tenho cópias e você levou
minhas pinturas também, as melhores; é sufocante:
você está querendo me sacanear como os outros?
Por que você não levou meu dinheiro? sempre tiram
das calças dos bêbados largados nas sarjetas.
De outra vez leve meu braço esquerdo ou uma nota de cinquenta
mas não meus poemas:
Eu não sou Shakespeare
e daqui a pouco simplesmente
não haverá mais, nem abstrato nem de jeito algum;
sempre haverá dinheiro e putas e bêbados
até que caia a última bomba,
mas como disse Deus,
cruzando as pernas,
eu sei que deixei um monte de poetas
mas
poesia ...

to the whore who took my poems

some say we should keep personal remorse from the

poem,

stay abstract, and there is some reason in this,

but jezus;

twelve poems gone and I don't keep carbons and you have

my

paintings too, my best ones; its stifling:

are you trying to crush me out like the rest of them?

why didn't you take my money? they usually do

from the sleeping drunken pants sick in the corner.

next time take my left arm or a fifty

but not my poems:

I'm not Shakespeare

but sometime simply

there won't be any more, abstract or otherwise;

there'll always be mony and whores and drunkards

down to the last bomb,

but as God said,

crossing his legs,

I see where I have made plenty of poets

but not so very much

poetry.


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Violeta Parra no Papel no Varal


Pessoal,

Já é quase sexta-feira, 13. Estamos fazendo os últimos preparativos para que tenhamos uma agradável noite poética para todos.

As mesas - que serão colocadas nos jardins internos do Teatro Deodoro - já foram todas reservadas em menos de 24h. A produção do evento está providenciando um conjunto de cadeiras extras, que ficarão disponíveis para os participantes que chegarem mais cedo ao Teatro. Desde que preservadas as condições de conforto para todos, será livre o acesso aos jardins internos dos Teatros Deodoro e Arena. Os espaços do foyer e do Café da Linda também poderão ser ocupados pelos presentes.

Lembramos que o sarau será em palco aberto nos jardins do Teatro e o varal de poesias ficará abaixo das palmeiras, recebendo uma iluminação especial, a cargo de Edner Careca.

O serviço de bar estará disponível com barracas de bebidas e tira-gosto com preços interessantes (em breve divulgaremos o cardápio).

Dentre os poemas do varal vocês encontrarão uma tradução de Volver a los 17, de Violeta Parra, em uma homenagem a Mercedes Sosa, que cantou este poema aos quatro cantos, com sua voz bela e inesquecível.

Violeta Parra

Voltar aos 17

Tradução: Ricardo Cabús

Voltar aos dezessete depois de viver um século

É como decifrar signos sem ser sábio competente,

Voltar a ser de repente tão frágil como um segundo

Voltar a sentir profundo como uma criança frente a Deus

É isto que sinto agora neste instante fecundo.


Meu passo retrocedido quando o de vocês avança

O arco das alianças penetrou em meu ninho

Com todo seu colorido passeou por minhas veias

E até a dura corrente com que nos ata o destino

É como diamante fino que alumbra minha alma serena


O que pode o sentimento não é podido ao saber

Nem o mais claro proceder, nem o mais amplo pensamento

Tudo muda ao momento qual mago condescendente

Nos afasta docemente de rancores e violências

Só o amor com sua ciência nos torna tão inocentes.


O amor é torvelinho de pureza original

Até o feroz animal sussurra seu doce trino

Detém os peregrinos, liberta os prisioneiros,

O amor com seus esmeros torna o velho criança

E ao mau apenas o carinho o torna puro e sincero


A janela se abriu completamente como por encanto

Entrou o amor com seu manto como uma tépida manhã

Ao som de sua bela alvorada fez brotar o jasmim

Voando qual serafim ao céu colocou brincos

Meus anos em dezessete os converteu o querubim.


E vai enredando, enredando

Como no muro a hera

E vai brotando, brotando

Como o musgo na pedra

Como o musgo na pedra, ah, sim, sim, sim.


Volver a los 17

Volver a los diecisiete después de vivir un siglo Es como descifrar signos sin ser sabio competente, Volver a ser de repente tan frágil como un segundo Volver a sentir profundo como un niño frente a Dios Eso es lo que siento yo en este instante fecundo. Se va enredando, enredando Como en el muro la hiedra Y va brotando, brotando Como el musguito en la piedra Como el musguito en la piedra, ay si, si, si. Mi paso retrocedido cuando el de ustedes avanza El arco de las alianzas ha penetrado en mi nido Con todo su colorido se ha paseado por mis venas Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena. Se va enredando, enredando (…) Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente Nos aleja dulcemente de rencores y violencias Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes. Se va enredando, enredando (…) El amor es torbellino de pureza original Hasta el feroz animal susurra su dulce trino Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros, El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero. Se va enredando, enredando (…) De par en par la ventana se abrió como por encanto Entró el amor con su manto como una tibia mañana Al son de su bella diana hizo brotar el jazmín Volando cual serafín al cielo le puso aretes Mis años en diecisiete los convirtió el querubín.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Mulher adormecida estará no Papel no Varal de Agosto

Em homenagem ao poeta chileno Alfonso Calderon, falecido esta semana, traduzi o poema "Mujer dormida" para fazer parte do próximo Papel no Varal, nesta terça, dia 18, na Livraria Livro Lido (Jaraguá, Maceió-AL), a partir das 19h30.

O sarau - que tem o apoio cultural da Fundação Municipal de Ação Cultural (Prefeitura de Maceió) e do Instituto Zumbi dos Palmares (Rádio Educativa FM) - é composto por 100 poemas, de 101 autores do Brasil e do mundo (*), dependurados em um varal de sisal. Todos podem ler no palco qualquer poema do varal, desde que não seja o autor. Participação musical: Mácleim.

Mais informaçoes sobre o sarau em cacosinconexos.blogspot.com , papelnovaral@gmail.com ou pelo fone 82-8871-1705.

Mulher adormecida
Alfonso Calderon
Tradução: Ricardo Cabús

Estás sozinha na praia,
minha amada,
e teu corpo acariciado pelos ventos
lembra a espuma soluçante.

Estás sozinha, mas em tua solidão
sonhos virginais te rodeiam
e essa arquitetura tentadora do mar
nuveando ondas como corpos possuídos.

Sonhas, mas os sonhos, amor meu
são os arcos do amor,e depois na lembrança
só haverá um perfume de lábio pensativo
um sabor de planeta jacente e agitado
como a chuva, suave,
como o silêncio, doce,
como o esquecimento, absoluto.

Mujer dormida
Alfonso Calderon
Estás sola en la playa,
bienamada,
y tu cuerpo acariciado por los vientos
recuerda la espuma sollozante.

Estás sola, mas en tu soledad
virgíneos te rodean los sueños,
y esa arquitectura tentadora del mar
nimbando olas tal cuerpos poseídos.

Sueñas, mas los sueño, amor mío
son los arcos del amor,
y después en el recuerdo
sólo habrá un perfume a labio pensativo,
un sabor a planeta yacente y tembloroso,
como la lluvia, suave,
como el silencio, dulce,
como el olvido, absoluto.


...................................................
(*) Há um poema com autoria dupla

domingo, 9 de agosto de 2009

Ele deseja os tecidos do paraíso

William Butler Yeats
Tradução: Ricardo Cabús

Tivesse eu os tecidos bordados do paraíso,
Adornados com luz dourada e prateada,
Os azuis, sombrios e escuros tecidos
Da noite e da luz e da meia-luz,
Eu os estenderia sob seus pés:
Porém, sendo pobre, tenho apenas meus sonhos;
Eu estendi meus sonhos sob seus pés;
Pise suavemente porque você está pisando em meus sonhos.

He Wishes For The Cloths Of Heaven
William Butler Yeats
Had I the heavens’ embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Poema de Auden

Funeral Blues
W. H. Auden
Tradução: Ricardo Cabús

Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
Evitem o latido do cachorro com um osso suculento
Silenciem os pianos e com o rufar silencioso do tambor
Tragam o caixão, deixem vir o cortejo.

Deixem aviões circularem gemendo sobre nós
Rascunhando no céu a mensagem Ele Está Morto,
Coloquem laços de crepe nos pescoços brancos das pombas da praça,
Deixem o guarda de trânsito calçar luvas negras de algodão.

Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste,
Minha semana de trabalho e meu domingo de descanso,
Meu meio-dia, minha meia-noite, minha fala, meu canto;
Eu pensava que o amor durava para sempre: estava errado.

Agora as estrelas não são mais necessárias: apaguem-nas;
Empacotem a lua e desmantelem o sol;
Esvaziem o oceano e varram a floresta.
Porque agora nada faz sentido.

Funeral Blues
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message 'He is Dead'.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Passatempo - Mario Benedetti

Passatempo
Mario Benedetti
Tradução: Ricardo Cabús

Quando éramos crianças
os velhos tinham trinta
uma poça era um oceano
a morte definitivamente
não existia.

Então quando jovens
os velhos eram gente de quarenta
um reservatório um oceano
a morte apenas
uma palavra.

E quando nos casamos
os anciãos estavam com cinquenta
um lago era um oceano
a morte era a morte
dos outros.

Agora veteranos
e que alcançamos a verdade
o oceano é enfim o oceano
mas a morte passa a ser
a nossa.

Pasatiempo

Cuando éramos niños

los viejos tenían como treinta

un charco era un océano

la muerte lisa y llana

no existía.

Luego cuando muchachos

los viejos eran gente de cuarenta

un estanque un océano

la muerte solamente

una palabra.

Ya cuando nos casamos

los ancianos estaban en cincuenta

un lago era un océano

la muerte era la muerte

de los otros.

Ahora veteranos

ya le dimos alcance a la verdad

el océano es por fin el océano

pero la muerte empieza a ser

la nuestra.