quinta-feira, 8 de março de 2012

Relato do Papel no Varal - Poesia de Mulher


O Papel no Varal - Poesia de Mulher, ocorrido dia 6 de março, foi um sucesso. O Maikai estava lotado, mais de 250 pessoas sentadas, afora o público em pé (ver fotos no link abaixo), foram homenagear as mulheres através da poesia. As leituras foram provavelmente das melhores de todos os eventos do Papel no Varal: Zé Marcio, Letícia, Julis, Katia Born, Paloma Amado, Ricardo Vieira, Edna Lopes, Janaína Amado, Graça Cabral, Osvaldo Viegas,... a lista é imensa e minha memória diminuta. A noite de poesia tornou-se maior com a música do Divina Supernova. Ana Galganni e Júnior Bocão acompanhados de Félix Baigon ao contrabaixo trouxeram de Edith Piaf a Mart'nália e emocionaram a plateia a cada acorde.

A seleção dos 100 poemas, embora elogiada, teve de deixar de lado muita gente. Provavelmente deixamos de ouvir boas poesias, mas faz parte do show, e outros virão.

A produção do evento esteve nas mãos de Taísa Cabús, que junto com Lidiane, Flávio, Bruna e Sara (que mesmo ausente deu grandes contribuições na pré-produção) tornaram a noite agradável para todos.

O evento foi patrocinado pela Secretaria Estadual da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos (Governo de Alagoas), fazendo parte da programação do mês da mulher. Patrocínios como este têm sido fundamentais para a continuidade do Papel no Varal, que em 29 de abril completará três anos de existência.  

Deixo ao final a última poesia lida no evento como uma homenagem às mulheres.

Viva o 8 de março.

Ricardo Cabús

Fotos, por Everaldo Dantas:


Naomi Shihab Nye[1]

Fechando o punho

Tradução: Ricardo Cabús

Pela primeira vez, na estrada ao norte de Tampico,
eu senti a vida deslizar de mim,
um tambor no deserto, muito difícil de ser ouvido.
Eu tinha sete anos, estava no carro
observando pelo vidro as palmeiras trançarem-se em um padrão nauseante.
Meu estômago era um melão partido dentro da pele.

‘Como a gente sabe que vai morrer?’
Supliquei à minha mãe.
Nós estávamos viajando há dias.
Com estranha confiança ela respondeu,
‘Quando a gente não puder mais fechar o punho’.

Anos depois eu sorrio pensando naquela viagem,
as fronteiras que devemos cruzar separadamente,
carimbados com nossas aflições sem resposta.
Eu que não morri, que ainda estou vivendo,
ainda estou sentada no banco traseiro atrás de todas as minhas perguntas,
fechando e abrindo uma pequena mão.



[1] Palestina-estadunidense (1952)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Papel no Varal traz a mulher como protagonista no sarau do dia 6 de março e incentiva doação de livros para novo projeto



Por Assessoria


Uma celebração à mulher. Assim será a noite do próximo sarau poético do projeto Papel no Varal, no dia 6 de março, no Maikai Choperia, em Maceió. Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8, 100 poemas de 100 mulheres de todos os cantos do mundo irão compor o varal mais famoso da cidade.

Elisabeth Bishop e Anilda Leão, Cecília Meireles e Vera Romariz, Arriete Vilela e Emily Dickinson, todas juntas em um só lugar. Sentimentos escritos em cada célebre poema que ganham forma na voz do público que há tempos faz desse evento um sucesso.

Atendendo à proposta do projeto, a plateia pode ir ao palco ler qualquer um dos poemas selecionados, desde que não seja a autora do texto escolhido. Com a apresentação de Ricardo Cabús, o show será composto por dois blocos de leitura de poemas, intercalados pela participação de músicos convidados.

O embalo musical ficará por conta do Divina Supernova, grupo musical que tem se destacado por apresentar um trabalho primoroso, contando com a belíssima voz e a flauta de Ana Galganni e com o talento de Júnior Bocão, acompanhados pelo consagrado músico Félix Baigon. No repertório, uma viagem na música de mulheres como Edith Piaf, Joyce, Dolores Duran, Mart’nália, dentre outras.

Na oportunidade, será apresentado o projeto “Circulador de Livros”, mais uma iniciativa do Instituto Lumeeiro de incentivo à leitura. A ideia é arrecadar livros, usados ou novos, nos saraus e fazê-los circular – de forma inusitada – por leitores em diversos pontos da cidade. Portanto, quem quiser doar, já pode começar a selecionar seu exemplar. Mais detalhes sobre o projeto serão divulgados durante o evento.

O Papel no Varal – Poesia de Mulher – é uma realização do Instituto Lumeeiro para a Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos.

Serviço:

Papel no Varal – Poesia de Mulher
Data: 06 de março de 2012
Local: Maikai Choparia, no Stella Maris
Horário: 20h
Entrada: Gratuita (Doação voluntária de um livro, novo ou usado)
Reservas de mesa antecipadas: reservas@lumeeiro.org ou 82-8135-5990
Apresentação: Ricardo Cabús
Participação Musical: Divina Supernova (Ana Galganni, Júnior Bocão e Félix Baigon)
Classificação etária: 14 anos (por ser em ambiente de bar e devido à leitura de poemas com temática adulta)
Duração prevista: Duas horas

O Patinho Feio está de volta



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Sarau erótico-carnavalesco: 3 horas em 3 minutos

Pessoal,

Abaixo o link com um vídeo mostrando um pouco - 3 minutos - do que ocorreu no III Sarau Erótico-Carnavalesco do Papel no Varal, dia 4 de fevereiro de 2012, no Museu Theo Brandão, em Maceió.

http://www.youtube.com/watch?v=aMrUxJO9loI&feature=colike

Aos que foram ao evento, para relembrar. Aos que não foram, para sentirem o gostinho do que perderam. Ano que vem, tem mais. Veja a data no final do vídeo.
Divirtam-se.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

“Cantata sáfica” do macho humano excluído

(foto de Geysa Miranda, em  http://gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=249221 )


Ricardo Maia apresenta mais um excelente ensaio sobre a literatura produzida em alagoas. Desta vez, a nova obra de Marcos de Farias Costa (ver foto), Cantata Sáfica, está sob o olhar dissecante de Maia. O texto completo está disponível em  http://www.escritoresalagoanos.com.br/texto/3609 . Leituras indicadas, do ensaio e do livro.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A poesia tomou e deu um banho de alegria


Eram sete e quarenta e cinco da noite. Do camarim – por uma fresta da janela – eu olhava o aguaceiro um tanto preocupado. Maceió tinha feito um dia de sol e decidira mudar de ares justamente momentos antes do início do III Sarau Erótico-Carnavalesco do Papel no Varal. O evento se propunha a trazer o espírito dos cabarés do século passado. A produção, coordenada de forma competente por Taísa, administrava os últimos preparativos para o início do show marcado para as oito. O varal com os 100 poemas já estava pronto abaixo da cúpula do Museu Theo Brandão. Pontualmente às oito e meia – para esquentar o público que assistia, sob os toldos, o cair persistente de uma caudalosa chuva de verão – a Banda Kafonas Brega Show começou o tocar. Dez minutos de um pot-pourri de lambadas foram suficientes para a chuva resignar-se e entrarmos no palco. Estava acompanhado de Carina Flor, Rosângela e Olodum, as varaletes, que dariam um toque de alegria durante todo o show. A minha indumentária era um tanto ridícula. Pela primeira vez usava anéis e correntes e creio que pela segunda vez calça branca (antes tinha sido na primeira comunhão). Mas nada pior que a barbicha, cuidadosamente desenhada pelo barbeiro Nilton, sob as orientações da produtora ao telefone.

A plateia estava muito animada. Ao invés de água, recebi uma chuva de calcinhas, que me deixaram um tanto encabulado com a brincadeira em homenagem ao Wando. Mas entrei na onda. Dava para ver muita gente que nunca havia aparecido em nossos eventos, misturada a poetas, artistas e amigos do Projeto Papel no Varal. Para minha felicidade, Letícia, Maria Luíza e Cidinha estavam na primeira fila. Recebo logo cinco inscrições para leitura e dou início ao sarau propriamente dito. Convido ao palco a atriz Mary Vaz que fez uma estátua viva no palco durante o espetáculo. As leituras se seguiram. Quando queria – e creio que todos quiseram – o leitor escrevia um verso no corpo da atriz. Com o tempo e os versos as roupas iam diminuindo no corpo de Mary, que ficava à mostra. No palco desfilaram diversos personagens, ressaltando a figura ilustre do Duque de Jaraguá, Carlito Lima, que leu Olavo Bilac, e do diretor do museu, Wagner Chaves, dizendo Mia Couto.

Fizemos o show em três blocos, com dois intervalos musicais com o melhor da música de cabaré, quando a plateia pôde dançar juntinho. Enquanto o telão, comandado por Larissa, mostrava algumas imagens em torno do tema do evento, as varaletes eram só sorrisos e passos. Lidiane e Bruna auxiliavam-me no palco, trazendo-me sempre as inscrições de leitura. Em algum momento veio-me o espírito de ex-professor de forró que me fez dançar umas lambadas com as meninas e acompanhar suas coreografias. Não sei se ficou bom, mas que eu me diverti muito, isso ninguém pode negar.

Houve sorteio de brindes dos patrocinadores e uma visita surpresa do Lobão (das Alagoas), produtor de filmes pornô, que ofertou um conjunto de dvd, muito disputado por parcela significativa do público.
Durante o evento, uma comissão julgadora escolhia a melhor leitura ou performance amadora. Ana Couto venceu o concurso, dizendo “O Tato” de Arnaldo Antunes. Bruno Duarte foi menção honrosa com “O monge e a velha” de Clément Marot e tradução de José Paulo Paes.

Outra surpresa da noite deu-se quando o ator Gustavo Gomes leu o poema Dialógica, de minha autoria, e – ao escrever os versos no corpo da estátua viva – desnudou-a por completo, recebendo as palmas da plateia. Estávamos no terceiro e último bloco que transcorreu com belas leituras. Fechei o sarau dizendo o poema “Safo em Jatiúca” do poeta alagoano Marcos de Farias Costa e entreguei o palco à banda, que colocou o público no salão, encerrando uma noite onde os ritmos e versos populares entremearam a poesia dos grandes clássicos de literatura erótica de todos os cantos e de todos os tempos. Eram onze e trinta da noite. O céu escuro enxugava as últimas gotas d’água e a poesia fruía minhas veias.


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Daqui a pouco, o Papel no Varal Erótico

Daqui a pouco, 20h, começa o III Sarau Erótico-Carnavalesco do Papel no Varal.  Ainda há tempo de chegar e aproveitar uma noite de diversão e cultura. Os clássicos (e outros nem tanto) da literatura erótica já estão pendurados no varal de sisal, aguardando a chegada do público. A entrada será pela Praça Sinimbu e estará aberta a partir das 19h30m para quem deseje garantir um melhor lugar. A produção me informa que há 10 mesas reservadas para quem ainda não comprou e deixou para comprar na hora, acredito que estas ainda estão por 40 reais. Os individuais - gratuitos - também estão disponíveis na entrada (53 na última contagem). 

Para dar mais um gostinho do varal, vai o poema fecundação, de Gilka Machado.

Sejam bem-vindos.

Ricardo Cabús

Gilka Machado[1]

Fecundação

Tem teu mórbido olhar
penetrações supremas
e sinto, por senti-lo, tal prazer,
há nos meus poros tal palpitação,
que me vem a ilusão
de que se vai abrir
todo meu corpo
em poemas.



[1] Carioca (1893 – 1980)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Papelete da Vara fala sobre o III Sarau erótico do Papel no Varal


Gente,

A programação do III sarau erótico-carnavalesco do Papel no Varal está ficando melhor que a encomenda. Estão fazendo ainda os últimos ajustes, mas se metade de tudo der certo vai ser uma noite arretada. Onde vamos encontrar no mesmo lugar Castro Alves e Waldick Soriano, Odair José e Olavo Bilac, Arnaldo Antunes e Wando? No Museu Theo Brandão, na praia da Avenida, em Maceió. 

Ouvi dizer que haverá Varaletes dançando no palco ao som do Kafonas Brega Show. Pense num bando de mulher bonita. Disseram também que o Ricardo Cabús vai se fantasiar de alguma coisa, mas não sei de quê. Sim, a Mary Vaz deve aparecer por lá. Sabe Deus e que ela vai fazer, mas que vai tá por lá isto eu tenho certeza. Parece até que o Chico de Assis vai fazer uma performance com ela, mas disseram que a mulher dele não ia deixar, vixe, vamos ver. Agora o Nilton Resende está confirmadíssimo com o Tela Tudo Clube de Cinema, ele no palco é dez e com esse negócio de cinema que vai com ele, eu vou é ficar sentada pra ver.

E a lista dos poemas, pense, tem de um tudo, já vi Bocage, Safo, Maurício de Macedo, Zé da Luz, tem até um caba chamado Guillaume Apollinaire – como será que fala um nome desse, vixe, minha nossa. Vou ler tudinho antes, que sou amiga do ômi. Eu quero é ganhar o concurso de melhor performance amadora, ouvi dizer que o prêmio é um kit erótico, que tem até uma pizza de linguiça do Armazém Guimarães, oba!!

A venda de mesas nas farmácias Ao Pharmacêutico está indo mais rápida do que o Fittipaldi (viram como sou novinha) e como eu quero garantir um lugar sentada vou logo pegar a minha. Até sexta custa 40 e no dia 60, mas eu acho que não vai ter ninguém pagando 60, pois vai acabar antes. Eu penso mesmo é que o preço na hora devia ser 69. Mas se eu não ligasse pra assento, ligava pra Lidiane, pedia pra ela guardar um convite individual e ia correndo na quinta-feira pegar na farmácia, é 0800. E só agora eu entendi porque as entradas tão numa farmácia, é que a gente tá tão ansiosa em abocanhar logo o convite que quando chegar lá tem comprar um troço pra se acalmar. 

Eu vou agora é preparar minha fantasia.

Papelete da Vara, sua criada malcriada.



SERVIÇO
Papel no Varal Erótico-carnavalesco
Apresentação: Ricardo Cabús
Participação musical: Kafonas Brega Show
Dia: Sábado, 4 de fevereiro de 2012, às 20h
Local: Museu Théo Brandão (Av. da Paz, 1490 – Centro)
Vendas: Farmácias Ao Phamacêutico
Mesa: antecipada R$ 40; no dia R$ 60
Individual: entrada gratuita
Vagas limitadas
Classificação: 18 anos. (Será exigido documento comprobatório)
Informações: 8135-5990/ papelnovaral@gmail.com
Informações/Comentários: http://cacosinconexos.blogspot.com
Produção: Instituto Lumeeiro
Apoios: Ao Phamacêutico, Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas, Secretaria Municipal de Educação, Instituto Zumbi dos Palmares / Rádio Educativa FM, Fundação Municipal de Ação Cultural de Maceió, Museu Théo Brandão – Ufal, Armazém Guimarães, Tantan, Operante (outros a confirmar).

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

“Cacos” de um discurso pornopoético


“CACOS” DE UM DISCURSO PORNOPOÉTICO: Ou, a triste alfaia de um “coração vacilante” da Alagoas-artística

Ricardo Maia

No livro “A Vontade Radical: estilos” (Companhia das Letras, 1987, 264 p.), mais exatamente no ensaio “A imaginação pornográfica” (1967), Suzan Sontag (1933-2004) analiza o tema sexual da pornografia – “não nos tribunais”, como ela própria com ironia situa o seu discurso, mas “na privacidade do debate intelectual autêntico”. Nesse debate ultra-liberal, ela identifica três modalidades de “pornografia”: 1) como um item na história social; 2) enquanto fenômeno psicológico (tido comumente como sintomático de deficiência ou deformidade sexual em seus produtores e/ou consumidores); e 3) uma “outra” pornografia que é aquela que representa uma “modalidade ou uso menor, mas interessante, no interior das artes.”

É nessa última modalidade que Sontag se posiciona para produzir seu ensaio. Neste, e com toda razão, ela diz que só aceita “o duvidoso rótulo de pornografia”, para esse gênero literário, por não haver outra denominação melhor. Sendo assim, ela define “gênero literário” como um corpo de obras de uma literatura já consagrada como artística, e no qual se verifica excelentes padrões estéticos. Daí porque, para ela, seria “razoável” chamar certos textos de “pornográficos”; isto é, aqueles “livros sujos” que, ao mesmo tempo, possuem crédito de literatura séria. E, além do mais, constituem “documentos” e/ou “curiosos bens” culturais. Bens estes, aliás, atribuídos por diversos pontos de vista a um sintoma psicopatológico de grupo, a doença totalmente cultural, ou seja, a uma herança maligna da repressão sexual cristã ou, ainda, à mera ignorância psicológica.

Esses pontos de vista, como sugere Sontag, estimularam a criação de uma “pornografia que é autêntica literatura”, na qual os personagens são dotados de “uma espécie de ‘psicologia’” que seria derivada, epistemologicamente, da chamada “psicologia da luxúria”. Uma psicologia com a qual Sontag sem dúvida contribui quando observa, de modo pertinente e conclusivo, que: “Em certos aspectos, o uso de obsessões sexuais como tema de literatura assemelha-se ao uso de um tema literário cuja validade bem poucas pessoas contestariam: as obsessões religiosas.” E acrescenta incisiva: “A pornografia que é autêntica literatura visa ‘excitar’ da mesma forma que os livros que revelam uma forma extrema de experiência religiosa têm como propósito ‘converter’.”

Em última análise, de acordo ainda com a pesquisa de Sontag, atribui-se também a “pornografia” a uma mercadoria social problemática, produzida para ser comprada por “adultos”, que representaria as fantasias da vida sexual infantil. Fantasias essas que seriam recordadas, ou mesmo revividas, pela consciência mais treinada – ou menos inocente – do adolescente masturbador. Neste ponto, a pesquisadora nos pergunta provocando mais ainda o debate que propõe: “Onde termina a fantasia (condenada por padrões psiquiátricos e não-artísticos) e onde começa a imaginação?”

Sontag, por sua vez, e não sem razão, atribui um caráter reducionista a todos esses pontos de vista epistêmicos, já que, segundo ela, “a avaliação e o exame racionais da pornografia são efetuados firmemente no interior dos limites do discurso empregado pelos psicólogos, sociólogos, historiadores, juristas, moralistas profissionais e críticos sociais.” E acrescenta criticando: “Tal padrão é mera hipocrisia, revelando, mais uma vez, que os valores usualmente aplicados à pornografia são, afinal, os pertencentes à psiquiatria e aos estudos sociais, mais que à arte.” Desse último ponto de vista, de acordo ainda com Sontag, “a exclusividade da consciência incorporada nos livros pornográficos não é, em si mesmo, nem anômala, nem antiliterária.”

Partindo desta observação crítica, Sontag define pornografia como “um dos ramos da literatura – ao lado da ficção-científica – voltados para a desorientação e o deslocamento psíquico.” Daí porque, para ela, os textos pornográficos são um “outro” gênero de literatura que se funda num modo diferente de “consciência”; ou estes são, também, uma espécie exemplar de “modos literários alternativos”; pois, segundo ainda Sontag, “a arte (e fazer arte) é uma forma de consciência; seus materiais são a variedade de formas de consciência.” E acrescenta: “Nenhum princípio estético pode fazer com que essa noção da matéria-prima da arte seja construída excluindo-se mesmo as formas mais extremas de consciência, que transcendem a personalidade social ou a individualidade psicológica.”

Desse ponto de vista, o verdadeiro artista, segundo Sontag, seria “o artista moderno exemplar”; aquele de atitude estética extrema; ou seja, “um livre explorador dos perigos espirituais” ou “um corretor da loucura” que, por isso objetiva: 1) Tornar sua obra repulsiva, obscura, inacessível ou, senão mesmo, não-desejada; 2) “efetuar incursões e conquistar posições nas fronteiras da consciência (em geral muito perigosas ao artista como pessoa) para relatar o que lá encontrou.” Mas sendo ele também indivíduo autônomo e situado em uma sociedade secular, a este artista é permitido se comportar diferentemente de outras pessoas. Além disso, como ainda escreve Sontag, “ao igualar a singularidade de sua vocação, ele pode ou não ser adornado com um estilo de vida de conveniente excentricidade. Seu ofício é inventar troféus de suas experiências – objetos e gestos que fascinam e encantam, não meramente edificam e entretêm (como recomendavam as velhas noções de artista). Seu principal meio de fascinação é avançar mais um passo na dialética do ultraje.”

Contudo, este artista é sempre dependente do público que ele ultraja. Sontag chega mesmo a afirmar que as “suas credenciais e sua autoridade espiritual dependem, em última instância, da consciência do público (seja algo conhecido ou inferido) sobre os ultrajes que ele comete contra si mesmo.” Daí a noção focada pela ensaísta de que a arte do “artista moderno exemplar” é, realmente, “um produto custosamente adquirido através de um imenso risco espiritual, cujo preço aumenta com o ingresso e a participação de cada novo jogador na partida, convida a um conjunto revisado de modelos críticos.”

Todas essas concepções servem a Sontag como fundamentação teórica para a sua defesa acadêmico-radical – não da pornografia “como ‘mera’ pornografia”, ou “como lixo de inexplicável extravagância”; mas, como uma suposta necessidade de “levantar a questão de saber se a pornografia e a literatura são ou não antitéticas”. Questão que, se respondida afirmativamente, implicaria, na opinião da ensaísta, “uma visão global do que é arte.”

Ora: esta “visão global” de arte implica, por sua vez, não só considerar os livros pornográficos como “obras de arte de interesse e importância” culturais; implica também, e principalmente, na derrubada de muros e fronteiras disciplinares ou departamentais. O que, em conseqüência, significa o reconhecimento “pós-tudo” de uma epistemologia complexa – e, portanto, verdadeiramente aberta e dialógica – que nos oriente a refletir sobre a artecomo sendo esta, ao mesmo tempo, construção, conhecimento e expressão. Essa epistemologia de vias transversais é, sem dúvida, a condição sine qua non para a ‘autenticidade’ do debate sobre a pornografia artística, pretendido por Susan Sontag em seu brilhante ensaio, – e também por mim, aqui, neste meu texto.

Daí a presença da expressão “pornopoética” no título, neologismo que, decerto, pode – e deve – ser correlacionado à noção de “pornopolítica”, de Arnaldo Jabor. Principalmente se isto servir para fundamentar, melhor ainda, uma leitura crítica das “paixões e taras na vida brasileira” das Alagoas, como diria Jabor, através da poesia alagoana de Ricardo Cabús.


# # # #

Em “Cacos Inconexos” (Inst. Lumeeiro, 2010, 166 p.), a poética de Ricardo Cabús (1964- ) é melancólica e lasciva de uma só vez. À sua leitura, se aplicam diversos conceitos. Noções de teoria literária e teoria científica. Por exemplo, a noção de “autor sintomático”, criada pelo crítico Afonso Romano de Sant’anna, talvez já se aplique a uma primeira leitura do seguinte verso do poema “Descarga”: “Minha loucura não cabe em um vaso sanitário”. Fragmento este (ou melhor, “caco”) que na certa é indicativo de uma persistente dúvida, no poeta, quanto à qualidade de sua própria poesia. Uma ‘caca’? Não, de jeito nenhum, mas “Um Caco Braviloquente [...] que Corta”...

Ora: mesmo quando “a luz da cidade” sorriso já “estufa o céu”, em condições de ultramodernidade, é essa mesma “loucura” que ainda, por sua vez, encena o “desejo infantil” e “desabrigado” do poeta de “que não tivessem caroços as melancias”: frutas exóticas, aquosas e fertilíssimas, que comumente são associadas aos miomas uterinos. “Sempre mantive uma certa distância das melancias, escreve Cabús; e acrescenta: “O vermelho de sua carne me atraía / Mas as melancias / apesar do vermelho / têm caroços”.

De fato subjetivo, essa loucura sintomatiza uma recusa (histérica?) da história que é típica do “Paraíso das Águas”. Sobretudo quando o poeta reafirma num outro verso dele, do já citado poema “Descarga”, que “A terra não é redonda”... E, note-se de passagem, é dos Marechais, dos machistas, dos “poetas loucos” – mas heterossexuais. Uma “terra” onde, por isso, “Ninguém muda o seu destino”... Aliás, nem pensa nisso! Pois, como nos conta o próprio poeta sobre o seu “destino” alagoano: “Quando a lua surgiu ligeira / No canto desse quintal / Tanto alumiou meu pau / Que Zefa ficou arteira / Querendo ser a primeira / Com nunca visto fervor / levou sem medo ou pudor e deu um grito felino: ‘Ninguém muda o seu destino, / nasceu pra ser trepador!’”

Mas, como observa poemando Marly de Oliveira, a “quintessência da poesia brasileira”, na opinião de Antônio Houaiss: “A Poesia é uma forma de compromisso com o Ser, / quem quiser esquecer ou esquecer-se / recorra ao ópio, ou outro equivalente. / A poesia açula, / a poesia cava no escuro / a poesia cava o poço / a poesia cava o abismo / cava a vida/a morte. / Ninguém sai ileso/livre / de sua leitura, / disperso no ar: / ler é uma forma de enredar-se.”

Note-se que quem primeiro lê o poeta é ele próprio. E assim, ao criar suas poesias, ou seja, ao escrevê-las lendo-as para si mesmo, Ricardo Cabús enreda-se na teia de significados poéticos que produz, enveredando por processos de transformação. Metamorfoses, por exemplo, entre o sexual e o social. Daí porque, para ele, “Ler um poema / é como penetrar uma mulher.” E Cabús diz mais, acrescentando em outras palavras: “Ler um bom poema / assim como a penetração / pode levar-nos ao gozo / Por isso ao final de um bom poema / precisa-se de tempo / para curtir, desfrutar, fruir, deleitar-se / Tempo pós-orgasmo”.

Nesse ínterim, o que a poesia cava na escuridão criativa de Cabús é mais que o poço de sua solidão humana ou mesmo biológica. Ela cava, inclusive e sobretudo, o abismo entre ele e a mulher desejada – isto é, o gênero e/ou osexo feminino. Pelo menos é o que indica a ambivalência poeticamente registrada, por sua espécie de pornopoética, nos versos de “Quem foi que disse?” e “Dialógica”: composições nas quais Cabús inventa, pós-modernamente, dramáticas antinomias que se contradizem “na inconstância do desejo”, em seu eu-poético, de genitálias femininas personalizadas: “Quem foi que disse que eu te amo? [...] Quem foi que disse que eu não te amo?” [...] “Eu quero uma buceta cabeluda / ou raspada [...] Pra fora com suas vaginas monologais / Eu quero uma buceta que dialogue”.

Na pornopoética de Ricardo Cabús, guinadas desejantes como estas, de 360° graus, que desestabiliza o leitor desavisado, virando-o de ponta-cabeça, são mais táticas e estratégicas que sintomáticas de um eu dividido; pois são também indicativas de um recurso criativo que é típico desse gênero literário. “A pornografia”, recitando aqui a definição de Susan Sontag, “é um dos ramos da literatura – ao lado da ficção-científica – voltados para a desorientação e o deslocamento psíquico.” Daí porque Cabús escreve: “Eu quero o caos / batendo em minha porta /entrando / devastando aos poucos / pouco importa o equilíbrio de seu ser”. Desejo esse, aliás, que se manifesta ao poeta num radical balanço de si que vai reverberar nos versos do poema “Não sei o quanto de mim sou Mulher”, no qual ele conclui: “Sei que de tanto gostar / carregá-la em mim / faz-me feliz”... ainda que, depois, retorne a perguntar-se incompleto: “Por que devo gostar do rouxinol?”

O peso de todas essas questões só é contrabalançado pelo amor necessário, sem jamais ter sido contingente, de uma verdadeira musa restauradora cheia de sapiência e brandura: Cristina de Macêdo, uma psicóloga e psicanalista potiguar que, vivendo há vinte e oito anos em Maceió, já há quase uma década é companheira do poeta alagoano. Não é por acaso que “Cacos Inconexos” é dedicado a ela com as seguintes palavras: “A Cristina / Que sabe juntar com carinho os / cacos que rebentam de mim”.

Como Cristina deve saber, por sua atitude sublime e exemplar, os “cacos” supostamente “inconexos” da despedaçada poética de Ricardo Cabús só se tornarão de fato inteligíveis – isto é, conectáveis – se for reconstituído, por exemplo, o “sambista fingidor” (que dança um “Samba aflito”, tendo “areia e sargaço aos [seus] pés”). E ao fazê-lo, deve-se reconstituí-lo exatamente como foi reconstruída, por pacientes arqueólogos, a máscara de jade de Lorde Pacal: o lendário senhor meso-americano que viveu e governou, plenamente, a civilização maia numa espécie de idade de ouro desse povo ameríndio.

Explico melhor: é que os “cacos”, só aparentemente “inconexos”, de Ricardo Cabús compõem, através de sua individualidade histórica, a face mosaicada da poesia em Alagoas; reforçando, assim, a noção chalesiana de literatura como verbo de um povo. O que implica não apenas desistir da ingênua distinção entre indivíduo e sociedade, mas, também, fundamentar uma leitura crítica na seguinte teoria weberiana: “O fluxo do devir incomensurável flui incessantemente ao encontro da eternidade. Os problemas culturais que fazem mover a humanidade renascem a cada instante e sob um aspecto diferente e permanece variável o âmbito daquilo que, no fluxo eternamente infinito do individual, adquire para nós importância e significação, e se converte em ‘individualidade histórica’.”

Mas, pelo que tudo indica, isso é tudo que o poeta menos quer, mais resiste ou mesmo não deseja (penso aqui com Freud). Pois o estrangeirismo cultivado (ou “cult”?), ao longo de toda a segunda metade do livro, só reconhece o já reconhecido, só louva o já por demais louvado e só traduz e publica o já traduzido e publicado em sua maioria. Sem falar, é claro, numa opacidade crônica que só resulta, como bem observa Arriete Vilela, em ardilosas armadilhas polissêmicas a gerar ambigüidades de sentido. Subjetivismo excessivo que, às vezes, torna-se chato e lamentável. Pois cadê, no livro de Cabús, as poesias caetés de seu “Varal” iluminado por seu Instituto “Lumeeiro”? Ou mesmo por sua “Luz e poesia” próprias, que, como “outros” destes mesmos valores locais, também “carecem de corpos sensíveis / para serem vistas”?

No entanto, parece que todas essas questões estão sendo pensadas, de modo radicalmente poético, mas à revelia do próprio poeta, nos seguintes versos de “Haicai” – e pensadas, note-se de passagem, para dar uma “Resposta ao tempo” (histérico e por isso estéril) da arte em Alagoas: “Verão acendendo / Cada pelo cada poro / Ascendendo ao nada”. Ou, ainda, nos versos de “Ocupar estranho” nos quais o poeta diz: “Faz-se do mundo um ocupar estranho / Fogo afoga / Água arde / A saudade abrocha as pétalas tornando botão / E a primavera tá nem aí” [...] E foi que o tempo / disse: Eu existo! / Mas ele não te vê / Eu te vejo / E te quero / E ele / Que vá pra merda!”

Os versos da primeira estrofe do poema “Passos errantes” talvez aludam, por sua vez, ao reconhecimento da equivocada metodologia, empregada pelo poeta na construção de seu livro, que esse enganoso estrangeirismo típico constitui; sobretudo, no contexto sócio-histórico – e, portanto, político-cultural – da arte em Alagoas. Mas o poeta reconhece: “Eu errei / De novo / me dissolvo / em passos errantes / após uma busca insana a uma Pasárgada quimérica.”

Veio na certa desse reconhecimento o impulso criativo para a construção do poema “Remanchando em Maceió” – verdadeira declaração de amor ao Paraíso das Águas alagoano: “Amo uma Jatiúca desnuda / pedras à mostra / E o branco espumado / que clareia ainda mais o verde ofuscante / de suas águas tépidas / Amo o cheiro das palhas do velho coqueiro / misturadas ao sargaço novo e úmido / que me dá forças para tolerar / o ruído dos carros, logo ali”. Aliás, bem ali onde a modernidade capitalística prospera ‘obstruindo’ a poesia e o poeta: “E nesta manhã de sol / Declaro: / Deixem-me o Céu! / Basta de elevações retilíneas / com seus concretos armados eretos /falicamente apontados ao zênite. / Que querem? / Penetrar a vagina de Vênus?”

Esse reconhecimento e essa declaração permitem identificar o autor de “Cacos inconexos” como um típico “bubo” – i.e., burguês boêmio – nesse efêmero Paraíso das Águas (penso aqui com David Brooks): “A boemia para mim é um acidente / Eu quero estar em casa / filosofando cada pentelho / iluminado pelos raios que transpassam / aquela cortina encardida”. Artefato doméstico, que, nesse estado de conservação indicado, parece simbolizar muito bem o desgaste histórico da ideologia esquerdista no seio de uma boemia literária local. Uma boemia alagoana que, em conseqüência da modernidade dos últimos tempos (penso aqui com Anthony Giddens), “PASSA PARA A FESTA FELIZ” – com todas as letras maiúculas... E desta, obviamente um boêmio local chamado “João” (um alter-ego do poeta?), sai “Amarfanhado”, “Cambaleante [...] e remansado” vendo “o vermelho descaminhar” pelo próprio corpo. O poeta recorda-se dele, antes da festa, nos seguintes versos de “Cardiolatifúndio”: “Ele era tão ateu / que não conseguia dizer / adeus / Tentava aprender a fazer reforma agrária / em um cardiolatifúndio”.

Aliás, o mesmo “Cardiolatifúndio” de um “coração vacilante” que, um belo dia, a Poesia invadiu. Invadiu e se apossou para nele, então, plantar as sementes do tempo da literatura em Alagoas (penso aqui com Fredric Jameson). Daí porque o poeta, vendo-se hoje mais centrado, escreve os seguintes versos que são indicativos do resgate, pela poética, de sua individualidade histórica: “Olho-me no espelho / e percebo sem alvoroço / quão foi árduo ao tempo / em suas vias / mostrar-se que os caroços / fazem parte / da vermelha carne / das melancias”. Pois, agora – sem mais aquela “ânsia” infantil ante o “trabalho de comê-las” (isto é, introjetá-las em si e para si), resta ao poeta apenas reconhecê-las aceitando-as como são: “As melancias são vermelhas / e têm caroços”.

Só assim, afinal, e para sossego do homem, o poeta recobrará, através da Poesia, uma antiga união com o que existe. Ou, pelo menos, a nostalgia desta. Pois isso é tudo o que Cabús nos indica – e não por acaso, em tom conclusivo ou resignado, no seguinte trecho do poema que dá título ao livro: “E eu que sempre cri no futuro / me vejo hoje perplexo / jogado em um chão escuro / percluso do amor / a juntar cacos inconexos.”

Mas, diante do “espelho” de sua própria poesia, o poeta-Cabús – um típico personagem atravessado e constituído pela dilemática sociedade alagoana, em transição, com seu modernismo do subdesenvolvimento (penso aqui com Marshall Berman) –, auto-ironiza: “Quem manda ter um coração vacilante”... Um coração que, por isso, nesses trópicos dos pecados capitalistas, sempre cai numa “suruba literária”: experiência simbólica-e-libidinal violenta em que ele escreve, inclusive, um “Poema evangélico” matando uma “traça” que “quer entrar”: “O demônio existe / Existe / E dúvida não tenho / Alguém em mim insiste / Que não / Mas o demônio existe / E não em vão / Se não pra que porra você [o hipócrita leitor, seu semelhante e irmão?] tinha que aparecer agora?”




OBRAS CONSULTADAS

BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade. 4ª reimp. São Paulo: Companhia das Letras, 1986.

BOMFIM, Elizabeth de Melo. Contribuições para a história da psicologia social no Brasil. In: JACÓ-VILELA, Ana Maria; MANCEBO, Deise; ROCHA, Marisa Lopes (orgs.). Psicologia social: relatos na América Latina. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.

BOSI, Alfredo. Reflexões sobre a arte. 3ª ed. São Paulo: Ática, 1989.

BROOKS, David. Bubos no paraíso: burgueses boêmios, a nova classe alta e como chegou lá. Rio de Janeiro: Rocco, 2002.

CABÚS, Ricardo. Cacos inconxos. Maceió: Instituto Lumeeiro, 2010.

COTTERELL, Maurice M. Os superdeuses: sua missão era salvar a humanidade. São Paulo: Madras, 2001.

GIDDENS, Anthony. As conseqüências da modernidade. 2ª reimp. São Paulo: EDUESP, 1991.

JABOR, Arnaldo. Pornopolítica: paixões e taras na via brasileira. Rio de Janeiro: Objetiva, 2006.

JAMESON, Fredric. As sementes do tempo. São Paulo: Ática, 1997.

OLIVEIRA, Marly de. Aliança. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1979.

SANT’ ANNA, Affonso Romano de. O canibalismo amoroso: o desejo e a interdição em nossa cultura através da poesia. São Paulo: Brasiliense, 1984.

SONTAG, Susan. A vontade radical: estilos. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

WEBER, Max. A “objetividade do conhecimento nas ciências sociais. In: COHN, Gabriel (org.); FERNANDES, Florestan (coord.). Weber: sociologia. São Paulo: Ática, 1986.



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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O erotismo volta ao Museu Theo Brandão com o Papel no Varal


Poemas eróticos de todos os tempos e de todos os cantos encorpam a terceira edição do sarau erótico-carnavalesco, realizado pelo Papel no Varal. O evento acontece no sábado, 04 de fevereiro, às 20h, no Museu Théo Brandão.

“Deixa que a minha mão errante adentre / Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre. / Minha América! Minha terra à vista, / Reino de paz, se um homem só a conquista”. Os versos de John Donne, poeta inglês do século XVII, se juntarão a Vinicius, Zé Limeira, Rimbaud, Vera Romariz, Glauco Mattoso, Marcos de Farias Costa, Safo e mais 92 poetas, compondo a seleção que estará dependurada no varal de sisal.

Como nos anos anteriores, surpresas devem brotar nos ares do Museu durante o evento. Está programado um concurso de melhor performance feita pelo público. Os interessados em participar podem decidir na hora, mas quem quiser se preparar com um poema pré-escolhido deve entrar em contato com a produção artística pelo e-mail papelnovaral@lumeeiro.org.

“Quando a orquestra / Tocava Besame Mucho / Eu lhe apertava / E olhava seu busto / Dentro do corpete / Querendo pular...”. Criando um clima de cabaré do século passado, a banda Kafonas Brega Show traz clássicos do repertório popular, como “A raposa e as uvas” de Reginaldo Rossi, permitindo aos pés-de-valsa ocuparem os espaços entre os poemas.

Para o idealizador do Papel no Varal, Ricardo Cabús, o sarau no período pré-carnavalesco abre uma ponte entre a literatura e o espírito libertino. É quando os versos mais picantes são pendurados e o amante da literatura pode deixar-se levar pelo lúdico acompanhado dos melhores autores.

As mesas estarão à venda nas farmácias Ao Phamacêutico, a partir do dia 30 até a véspera do evento, porém a reserva já pode ser feita pelo e-mail reservas@lumeeiro.org.   Os individuais estarão disponíveis no mesmo local nos dias 2 e 3 de fevereiro. Lembramos que os ingressos são limitados e que costumam esgotar com brevidade. Só será permita a entrada de maiores de 18 anos, portadores de mesa ou individual. Informações: 8135-5990/ reservas@lumeeiro.org.

Papel no Varal

Com a apresentação de Ricardo Cabús, os presentes podem ler/interpretar quaisquer poemas do varal, desde que não seja o seu e nem sejam em sequência. O formato do evento iniciou-se em abril de 2009, em Maceió, a partir do lançamento do Programa Minuto de Poesia, que foi criado por Ricardo Cabús e está no ar na Rádio Educativa FM, 107.7MHz, em Maceió-AL.


SERVIÇO

Papel no Varal Erótico-carnavalesco
Apresentação: Ricardo Cabús
Participação musical: Kafonas Brega Show
Dia: Sábado, 4 de fevereiro de 2012, às 20h
Local: Museu Théo Brandão (Av. da Paz, 1490 – Centro)
Vendas: Farmácias Ao Phamacêutico
Mesa: antecipada R$ 40; no dia R$ 60
Individual: entrada gratuita
Vagas limitadas
Classificação: 18 anos. (Será exigido documento comprobatório)
Informações: 8135-5990/ papelnovaral@gmail.com
Informações/Comentários: http://cacosinconexos.blogspot.com
Produção: Instituto Lumeeiro
Apoios: Ao Phamacêutico, Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas, Secretaria Municipal de Educação, Instituto Zumbi dos Palmares / Rádio Educativa FM, Fundação Municipal de Ação Cultural de Maceió, Museu Théo Brandão – Ufal, Armazém Guimarães, Tantan, Operante (outros a confirmar).

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Anilda, a menina que foi


Foi com muita tristeza que soube há pouco do falecimento de Anilda Leão. Merece todas as homenagens. Por hora, compartilho um de seus poemas que tive a honra de pendurar no Papel no Varal.

Anilda Leão

Soneto da menina que já fui

Do meu ventre eu recolho exatidões,
E coloco nas curvas dos meus seios
O frêmito do tempo adolescente;
Assim me faço para te receber.

Abro os meus braços, te aconchego ao corpo
Ainda quente ao recordar de outrora.
E solto as franjas e os meus cabelos
Da criança que fui e sou agora

Por ti me fiz e sou criança ainda,
Para esquecer aquela que ficou
Largada nos caminhos de outra vida.

E assim me dou da meninice vindo,
De ti fazendo o meu amor primeiro,
Esquecida dos tempos já vividos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Imagens do Papel no Varal no Botequim Paulista


Imagens do Papel no Varal dia 14.12.2011, no Botequim Paulista, em Maceió. Filmagem e Edição: Matheus Nobre. Trilha: My Midi Valentine

domingo, 11 de dezembro de 2011

Pedro Onofre lança Poesias Completas no solstício de verão


Uma folha de relva no Papel no Varal

Uma folha de relva
Brian Patten
Tradução: Ricardo Cabús

Você pede um poema.
Eu ofereço uma folha de relva.
Você diz que não é suficiente.
Você pede um poema.

Eu digo que esta folha de relva será.
Ela veste-se em gelo,
Ela é mais direta
Que qualquer imagem eu faça.

Você diz que ela não é um poema,
É uma folha de relva e relva
Não é suficiente.
Eu ofereço uma folha de relva.

Você está indignada.
Você diz que é muito fácil oferecer relva.
É um absurdo.
Qualquer um pode oferecer uma folha de relva.

Você pede um poema.
E então eu escrevo uma tragédia sobre
Como uma folha de relva
Torna-se mais e mais difícil de oferecer,

E sobre como quando você envelhece
Uma folha de relva
Torna-se mais difícil de aceitar.




......




Este poema estará no Papel no Varal do dia 14/12/2011